Escolhi este texto, publicado originalmente em 2.4.99, para inaugura a Rebimboca virtual. Em breve, pretendo colocar no arquivo deste blog todas as colunas publicadas ao longo desses anos, bem como postar aqui novos textos.
HK
Por isso mesmo, outro dia, logo na esquina da rua onde mora, Tadao parou e ofereceu condução a duas senhoras de idade (eufemismo respeitoso para velhinhas, muito velhinhas), que iam na mesma direção. Não andou
Nova esquina, nova parada. Desta vez embarcaram Dario, Marconi e João, três cearenses que faziam biscates e obras na vizinhança. Traziam com eles ferramentas e também as marmitas. Não haviam se acomodado ainda quando a Kombi brecou novamente e, portas abertas, deixou entrar o padre Voguel, um velho, rosado e rechonchudo alemão, fanático por Fuscas e cerveja. Com ele embarcaram seu sacristão, o recatado Luís Artur, e o tocador de sino da igreja, o espevitado Rogério, que trazia uma galinha viva enrolada num jornal.
A coisa já começava a ficar meio, digamos, íntima demais entre os divertidos passageiros quando, a menos de
Quando a Kombi finalmente parou em frente à mercearia, e Urubu, o balconista, resolveu ajudar a turma abrindo as portas do carro, aconteceu algo que o bairro inteiro comenta até hoje: cuspidos para fora num estouro, como champanhe nacional em noite de reveillon, todos os passageiros saíram rolando pela calçada. Felizmente, ninguém se feriu e a Kombi, acreditem, já estava a postos para o caminho de volta.
Nota do colunista: se você acha que já assistiu a essa cena em algum filme, está certo. Ela, passada em um camarote de navio, faz parte do antológico “Uma noite na ópera”, com os Irmãos Marx, de 1935. Um pouquinho mais antigo do que o projeto da Kombi.
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